Chá para parar de fumar não tira o vício, mas ajuda na parte que mais derruba quem tenta largar o cigarro: a ansiedade. As plantas certas acalmam o nervoso e dão à sua mão e à sua boca algo para fazer enquanto a vontade passa.
Se você já parou e voltou numa hora de estresse, sabe do que eu falo. Quase ninguém recai por falta de nicotina. Recai porque bateu uma tristeza, uma briga, uma crise no trabalho, e o cigarro era o jeito antigo de se acalmar. O chá entra aí.
Aqui você vai ver os 7 chás que mais ajudam, como tomar cada um, o truque dos 5 minutos para a hora da fissura, e os cuidados que quase ninguém avisa.
Antes de tudo, a verdade sobre o chá
Vou ser direto com você, porque promessa milagrosa é o que não falta nesse assunto.
O chá não cura a dependência. Ele mexe com a ansiedade, que é a parte que mais faz a gente acender um cigarro sem nem pensar. Repara nos relatos de quem tenta parar: quase sempre aparece "ansiedade", "estresse", "nervoso". Na maioria das vezes, a vontade de fumar é a ansiedade pedindo o calmante de sempre.
As plantas calmantes baixam um pouco esse nervoso. E tem outra coisa: parar para preparar e tomar um chá quente ocupa a mão e a boca, o mesmo gesto que o cigarro fazia. Então o chá age por dois lados ao mesmo tempo, acalma por dentro e ocupa por fora.
Pensa nele como uma muleta. A muleta te ajuda a andar enquanto a perna sara. Mas quem anda é você.
Os 7 chás que mais ajudam a diminuir a vontade de fumar
A mais conhecida para acalmar. Efeito suave contra a ansiedade e ajuda no sono, que costuma ficar ruim nos primeiros dias. Use 1 colher das flores secas numa xícara de água quente, abafada por 5 minutos. Pode tomar 2 ou 3 vezes ao dia.
Calmante leve, bom para a tensão do fim de tarde e da hora do café. Folhas em água quente por 5 minutos. Fica ótima junto com a camomila.
Mais forte. Reduz o estresse e melhora o sono. Tome de preferência à noite, porque dá sono, e comece com pouco.
O calmante do dia a dia. Tira a agitação sem te deixar lerdo. Uma xícara depois das refeições cai bem, já que o cigarro do cafezinho é gatilho forte.
O frescor "limpa" a boca e ajuda a dissipar o desejo. Folhas frescas em água quente. Naquele momento de "só um trago", funciona até gelada.
Sabor forte que tira o foco da vontade e ocupa a boca. Ferva rodelas finas por 5 a 10 minutos. Bom para começar o dia no lugar do cigarro.
Tem um pouco de cafeína (ajuda na disposição que cai) e antioxidantes. Tome 1 ou 2 xícaras pela manhã e evite à noite.
O truque dos 5 minutos para a hora da fissura
A fissura, aquela vontade forte que parece que vai te dominar, dura pouco. Ela vem em ondas de 2 a 5 minutos e vai embora sozinha, mesmo que você não faça nada. O problema é que esses minutos parecem uma eternidade.
O objetivo não é nunca mais sentir vontade. É atravessar a onda. E o chá serve bem para isso, porque preparar e beber leva mais ou menos cinco minutos.
Quando bater a vontade, faça assim:
- Não diga "nunca mais". Diga "agora não, primeiro vou tomar um chá".
- Vá até a cozinha e prepare com calma. Isso já ocupa a mão.
- Beba quente e devagar, respirando fundo entre os goles. Isso ocupa a boca e acalma.
- Quando a xícara acabar, a onda já passou. Você venceu aquela.
Cada onda que você atravessa assim te deixa um pouco mais forte na próxima. É a mesma ideia de quem bebe água gelada ou sai para caminhar na hora da vontade. O chá é a sua versão disso, com o bônus de acalmar.
Cuidados: chás que pedem atenção
Planta também é remédio, então vale tomar cuidado com algumas.
Ajuda no humor, mas reage com vários remédios, incluindo anticoncepcional e antidepressivo. Só use com orientação.
Chá verde e outros com cafeína, em excesso, pioram a ansiedade e o sono. Vá com calma.
Confirme cada planta com o médico antes. Valeriana e passiflora, por exemplo, pedem cuidado.
A verdade que ninguém te conta
Você pode tomar todos esses chás e ainda assim voltar a fumar. Por quê?
Porque o chá cuida da ansiedade do momento, mas não desliga o gatilho que liga o cigarro na sua cabeça. O cafezinho que pede o cigarro. O fim de semana. A discussão. A varanda de sempre. Enquanto esses gatilhos continuarem mandando, a vontade volta, por mais chá que você tome.
A saída de verdade é reprogramar esses gatilhos, um por um, junto com o apoio do dia a dia: o chá, a água, a respiração, a comida certa. É isso que um método dia a dia faz. Ele segura a sua mão nos primeiros 21 dias, que são os mais difíceis, e te ensina a quebrar o automático.
O chá é a muleta. O método é o que faz a perna voltar a andar sozinha.
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